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A
lgumas decisões são muito difíceis de serem tomadas, especialmemente aquelas que trazem claros prejuízos. Por vezes, elas são alvo de procrastinação ou mesmo de nosso labor intenso para tentativa de alternativas que nos afastem de prosseguir. Se formos sinceros chegaremos à conclusão de que realmente é isso o que acontece quando estamos em momentos como esses.

Quando leio os Evangelhos, vejo quantos momentos desafiadores Jesus passou e em nenhum deles percebo atitudes semelhantes às nossas. Penso, por exemplo, que um dos momentos mais difíceis foi registrado no capítulo 17 de João. Depois de um discurso longo de consolo aos seus discípulos, Jesus se antecipa em demonstrar que estava convicto da necessidade de sua intervenção: Pai, é chegada a hora…Convém lembrar que as palavras que estavam sendo ditas visavam fortalecer àqueles que veriam ele sofrer atrocidades, até ser morto. Podemos imaginar o cuidado do mestre ao proferir palavras que viesse trazer alento aos seus discípulos mesmo quando seria o maior prejudicado. Permanece porém o peso de suas palavras sobre a certeza de que a hora havia chegado, o que fala da certeza da responsabilidade que não poderia ser passada para outro. É como se estivesse dizendo: Não há mais um segundo a esperar, ou mesmo, algo do tipo: foi para isso que eu vim.


Existe algo que não deve passar despercebido que aponta para um ensinamento oportuno até que chegasse o momento desafiador. Jesus começou a orar na frente de seus discípulos. Essa oração está sendo realizada em um contexto de profunda expressão dos propósitos de Cristo nesta terra. Se houvesse acontecido de alguém não ter entendido o motivo da missão nos últimos 3 anos, agora não teria mais como ficar obscurecido. Este seria o momento em que a revelaria, diretamente do âmago de seu coração. Dentre os clamores por si mesmo, por seus discípulos e por aqueles que haveriam de crer, sua fala aponta para o desejo de que a comunhão plena como vivida pelo Pai e pelo Filho seja estabelecida entre os discípulos e Cristo, e por assim ser apresente a única possibilidade de comunhão entre os homens e Deus. Da mesma forma, ele revela que o propósito desta união vai além de um simples desejo de que haja concordância entre cristãos, mas ela deve ser vivida com o fim de que o mundo creia.


Isso me levou a reflexão de que é mais do que pensar no que seria enfrentado por Ele na cruz. Jesus não parecia tão preocupado com o que passaria nas dores quanto com o que significaria para seus discípulos assumir sua responsabilidade. O Mestre não parecia colocar em níveis aquilo o que lhe custaria a própria vida, distante do que significaria a obediência de seu dever. Caso não assumisse sua responsabilidade, não haveria salvação. Caso não houvesse salvação, não poderiam ser religados ao Pai, logo não haveria comunhão entre Deus e os homens, porque a ira do Senhor permaceria contra toda humanidade. Cristo não procrastinou, não olhou de lado sua missão, sua responsabilidade. Antes, Ele orou, ensinou e coscientizou a seus próprios discípulos acerca da razão pela qual deveria prosseguir.


Por que isso soa tão diferente de nós? Por que estamos sempre medindo o que certas medidas nos custarão e não o que significarão? Acredito que o grande crescimento de nossas decepções estão relacionadas ao fato de que não assumimos nossas responsabilidades pensando no que isso nos custaria. Quando deixamos de olhar para os resultados, especialmente, numa vida que prioriza a glória de Deus, esquecemos que nenhuma decisão difícil estará isenta de dor. O pior é que não conseguiremos dimensionar o tamanho do desafio até que o enfrentemos de fato. Apesar de ser conhecedor de todas as coisas, Jesus Cristo venceu a morte diante da necessidade de passar por ela.


Portanto, temos uma certeza e um conselho. A certeza é que não é bom que não assumamos nossas responsabilidades simplesmente porque sabemos que enfrentá-las nos traria dor. Antes, devemos entender que nossas decisões devem em tudo buscar os resultados que se conformam à vontade de Cristo. Quanto ao conselho, lembremos que Cristo, ao orar ao Pai, nos ensinou que é assim que devemos proceder, expressando ao Senhor o quão dependentes Dele nós somos para obter êxito em tudo aquilo o que planejamos.


Roguemos a Deus que este seja um ano em que diariamente estejamos firmados na certeza de que não podemos parar pensando naquilo o que nos causará dor, mas que oremos para que o Senhor nos dê forças para prosseguir pela convicção nossa vocação.

Que o Senhor seja gracioso em nos atrair para Ele todos os dias!

 


   Autor
   Pr. Jonatas Bento

Jonatas Bento é pastor na Igreja Metodista Ortodoxa no Km32, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Especialista em Teologia Bíblica AT. Jonatas também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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