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At 6.15: Então todos os que estavam assentados no sinédrio, fitando os olhos nele, viram o seu rosto como de um anjo

E
screvo esse texto no Hospital Municipal Miguel Couto. Não, não estou doente. Passei a noite aqui acompanhando meu avô, que está internado para tratar de uma doença que derrubou suas plaquetas. Enquanto estou por aqui, posso observar os que estão ao meu redor. Pacientes, enfermeiros, médicos, funcionários e familiares. Uns com ar de preocupação, outros sem esperança. Alguns estão confiantes, uns são solidários e outros indiferentes.

Para aqueles que sofrem, o ambiente e a limitação da doença parece aflorar o desejo por uma palavra amiga e por uma oração. A doença revela de forma fria e objetiva a incapacidade humana. Nessas circunstâncias, percebemos que somos frágeis, e, conforme a dor se mostra mais aguda, tanto mais forte bate o medo da morte.

Esse cenário me fez lembrar a passagem de Atos 6.15 que citei no início. Estevão era um homem de Deus. Escolhido como um dos primeiros 7 diáconos, foi identificado pela igreja como alguém de boa reputação, cheio de sabedoria e cheio do Espírito Santo. Seu ministério trouxe inveja e incômodo à elite religiosa judaica da sua época. Por isso, foi levado ao Sinédrio para ser interrogado e, antes da sua brilhante exposição cristocêntrica do Antigo Testamento, Lucas nos mostra sua reação diante da afronta.

Lucas faz um contraste da reação de Estevão e daqueles que o interrogavam. Seus opositores estavam enfurecidos: “Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações e rangiam os dentes contra Estêvão. [...] Então eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele” (At 7.54,57). O resultado dessa fúria assassina foi o apedrejamento de Estevão. Mas, mesmo sendo pressionado, questionado, afligido e ameaçado, Estevão não tinha medo da morte. Ele não valorizava sua vida acima da proclamação da verdade. Ele não estava aflito ou angustiado. Não havia ansiedade no seu coração. Seus inquisidores viam “seu rosto como de um anjo”. 

Essa expressão revela uma plena confiança naquele que é o dono da vida e da morte. Revela uma plena certeza de que até os fios de cabelo que temos em nossas cabeças estão contados pelo Senhor e que nenhum deles cai sem seu consentimento (Mt 10.30). Nos lembra que Deus está agindo ativamente no mundo, mesmo que, por vezes, não o percebamos. Sua mão está, tantas vezes, oculta aos nossos olhos distraídos pelo nosso débil senso de capacidade. 

Estevão estava sendo pressionado e ameaçado, mas estava tranquilo. Estava em paz mesmo em meio à crise mais aguda na sua vida. Sua paz é reflexo de uma certeza: o que pode fazer o homem? E é essa mesma certeza que deve encher os nossos corações quando passarmos por momentos difíceis. O que é a morte para o crente além da cessação do afastamento do seu criador, a libertação da presença do pecado e a porta para o gozo eterno da sua presença graciosa? Estevão, assim como Paulo, sabia que morrer é lucro (Fp 1.21). Assim como Moisés, escolheu ser maltratado com o povo de Deus porque considerou o opróbrio de Cristo como sua maior riqueza (Hb 11.25-26). Mesmo tendo sido assassinado, ele não amava sua própria vida acima do amor que tinha pelo seu Mestre (Ap 12.11).

Contudo, não imagine que essa firmeza veio de Estevão. Sua paz emanava do fato dele ser “cheio do Espírito”. Sua confiança é fruto de estar unido a Cristo. Não imagine que podemos ter essa serenidade diante das crises que a vida nos apresenta, sejam elas as perseguições, dores, doenças ou as pressões das tentações pecaminosas, sem a força divina agindo em nós e através de nós.

Independente de que crise você tem enfrentado, continue firme confiado nele! Sua Graça já nos alcançou, o que pode fazer o homem? Se Ele quiser nos livrar, nos livrará, mas se não quiser, confiamos que o veremos a direita do trono de glória (At 7.55) com exultação (Jd 24). 

Não se desespere! Não fique ansioso! Quando a noite mais escura se abater sobre você, confie que, da mesma forma como aconteceu com os apóstolos quando estavam amedrontados e escondidos, podemos ouvir Cristo dizer aos nossos corações: “PAZ SEJA CONVOSCO!” (Lc 24.36)

 


   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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