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V
ocê não pode ser responsável direto pela imagem que as pessoas constroem a seu respeito e nem como irão interpretar o que você diz e comunica. Falo isso porque muito vezes não queremos promover equívocos e mensagens erradas, mas as pessoas, munidas de sua capacidade de leitura da vida, concluem o que não deveriam. Nestes casos, elaboram percepções pessoais sem que nós as estimulemos a isso. São narrativas dissociadas do emissor, baseadas meramente no receptor...é o famoso eu falo A mas quem ouve só entende B. Ou ainda, falamos muitas coisas, mas o outro extrai só o que lhe apraz para destacar como mensagem central. Isso acontece por causa de pessoas de má fé, mas as vezes por outros problemas na comunicação.

Porém, o que queremos falar aqui não se refere a isto, ao contrário, mas mostrar como podemos comunicar erradamente, pelo conteúdo ou forma, e deste jeito chamarmos a atenção daqueles equivocados que se identificam com nossa fala igualmente equivocada.

Quando olho para o Cristo vejo como, sem abrir mão de sua deidade, ele se fez maldito, e desta forma atraiu para si para si malditos, miseráveis. Os fariseus, que se achavam superiores e diferentes dos pecadores imperfeitos, não se identificavam com ele.  Hoje em meu caminhar cristão – seja no ministério pastoral ou como professor num meio acadêmico – posso perceber a crescente onda de pessoas vaidosas interessadas em se revelar doutores do saber. Eles se mostram nos púlpitos, mas sobretudo nas redes sociais.  É muita gente detentora da verdade, se esquecendo que a verdade, que é Cristo, não se possui, quando muito – por graça – dela somos tornados humildes servos.

Em nosso meio evangélico é crescente a profusão de citações de autores e obras em detrimento de uma mensagem acessível e simples. As exposições bíblicas precisam ser amparadas por muitos outros textos, como se a Bíblia não nos fosse mais suficiente.  E quanto mais isso é robustecido, mais o pseudo-doutor da lei garante fiéis para si. É muita vaidade, muita pose. Creio que há algo muito equivocado neste tempo, onde, sobretudo entre jovens reformados, se esquece que o Evangelho exige simplicidade e vida de identificação com os miseráveis e falíveis, como todos nós somos.

No entanto, que fique claro que nisto não estou demonizando a pesquisa e o esmero em ler e produzir boas obras literárias e de se comprometer com uma formação teológica de qualidade. Mas indico uma arrogância travestida de cristianismo, que está muito distante do Jesus que, em João treze, se mostra vestido de serviçal a fim de lavar os pés de seus discípulos. Será que queremos nos identificar com este proceder? Ou seríamos nós fundadores de um novo cristianismo?

Nós, pastores e mestres reformados, precisamos repensar sobre a distância que temos mantidos das pessoas para não promovermos uma dicotomia entre teoria e pratica, entre quem recebe a vocação do ensino e aquele que é ensinado. Tudo precisa ser mais simples, menos estruturado, com mais evidência do Evangelho e da pessoa de Cristo. Estou certo de que se vestirmos as sandálias de pescador, pela graça, atrairemos pessoas para Cristo e que veremos nascer pescadores de almas. Mas se insistirmos em roupas vistosas e exuberantes atrairemos seguidores para nós mesmos...num processo que retroalimenta uma fábrica de auto-adoradores, gente interessada na proclamação de seu próprio nome.

Portanto, toda vez que você tiver profunda admiração por uma figura de exposição no meio protestante, seja sincero, e faça a você mesmo esta indagação: o que mais me atrai nesta pessoa é a sua posição, inteligência, eloquência e conhecimento ou as visíveis marcas de Cristo? Fuja da tentação de ser atraído por sua vaidade e deseje desesperadamente ser como Cristo e seus imitadores.


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   Autor
   Pr. Ilton Sampaio de Araújo

Ilton S. Araújo é pastor na Igreja Congregacional Campograndense, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, graduado em História e MBA em Gestão em Educação. Ilton é diretor pedagógico e também professor no Seminário Teológico do Oeste.


 

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