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 Sl 24.1: “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam.”

U
m dos grandes anseios do homem é dominar. Por esse motivo estabelecem-se e derrubam-se reis. Por esse motivo, travam-se guerras. Muitos já morreram para que poucos dominassem. Mesmo no âmbito privado, o ego humano o impulsiona na busca pelo poder. Provas disso são amplamente vistas na história da humanidade. Quantos ditadores já subiram ao poder? Quantos já usaram seu carisma e poder de persuasão para controlar povos, grupos religiosos ou mesmo pessoas do seu círculo de convívio íntimo? A Bíblia também não se cala diante dessa tendência humana ao mostrar que o pecado original foi buscar ser “como Deus” (Gn 3.5). Entretanto, a despeito de toda iniciativa humana nesse sentido, será que ele tem conseguido êxito nessa investida ambiciosa? Será que o homem é mesmo o senhor da sua vida e do mundo em que vive ou há outro rei que governa sobre todas as coisas? A resposta bíblica é clara nesse sentido: Deus é o Rei soberano sobre todo o mundo! Como disse o salmista, Ele é o dono da Terra e de todos os seus habitantes!

 

Não é necessário muito esforço para provar essa afirmação. A própria criação demonstra isso. O fato de haver um mundo criado pressupõe a existência de um criador e a existência de um criador pressupõe seu direito de governo sobre sua criação. Até os mais céticos hão de reconhecer que o criador tem direitos sobre aquilo que criou. O escritor tem autoridade sobre seus escritos. O pintor é o dono da sua pintura. O poeta é quem pode melhor explicar o sentimento expresso nas suas rimas. As Escrituras mostram que Deus é o criador de todo o universo. O relato do livro do Gênesis esclarece que todas as coisas vieram a existir pela palavra divina (Gn 1). Da mesma forma, o homem foi criado pelas mãos de Deus, segundo a sua imagem, conforme a sua semelhança (Gn 1.26). Ao longo do relato bíblico, vemos Deus, muitas vezes, se manifestando como aquele assentado sobre um trono (por exemplo, Sl 2; Is 6; Ap 4). Tal como um pai tem autoridade sobre seu filho, Deus tem autoridade sobre sua criação. Não há dúvida que o testemunho das Escrituras é que Deus não desprezou sua prerrogativa de domínio e governo.

 

Além disso, a própria autoridade do homem é derivada da autoridade divina. Como pode o homem considerar-se senhor da existência se sua autoridade foi-lhe dada pelo próprio Deus? Ora, somente aquele que tem maior autoridade pode investir outros de poder. O presidente escolhe e provê de autoridade os seus ministros. O rei dá poder aos seus conselheiros e governadores. Entretanto, tanto os ministros, quanto os conselheiros e governadores tem sua autoridade restrita àquela que os assim constituiu. Os ministros ou conselheiros que ultrapassam a autoridade daquele que os colocou nessa posição são tidos como insubordinados e déspotas. De igual modo, Deus constituiu o homem como autoridade sobre a criação (Gn 1.27-30). Portanto, para que essa autoridade fosse delegada, é necessário que Deus seja senhor tanto da criação, objeto de domínio, quanto do homem, delegado instituído por Deus.

 

Por tudo isso, é inconcebível imaginar o homem como o senhor soberano do mundo. Tão pouco é viável a imagem de um mundo guiado pelo acaso. Deus é o senhor soberano sobre todo o mundo e sua autoridade repousa nele mesmo. Ele não é só o criador, mas também o detentor de toda autoridade instituída. O homem pode relutar contra essa verdade. Pode buscar romper esses laços (Sl 2.1-2), mas é Deus quem lhe dirige os passos (Pv 16.9). Os planos divinos irão se cumprir, independente da busca por domínio do homem. Reconhecer isso é um ato de humilde reverência. Negar é ir contra a natureza da criação.

 

Da mesma forma, quantas vezes julgamo-nos senhores das nossas próprias vidas? Consideramos que nosso destino está em nossas mãos e que nossas atitudes determinam nossa história. Triste engano... Apesar da nossa responsabilidade sobre os nossos atos, o fato é que Deus continua assentado no seu trono governando soberanamente todo o universo, o que inclui eu e você. Como seus filhos, ele ira nos conduzir no caminho da sua vontade. Podemos seguir como filhos amorosos, desfrutando do caminho, ou como rebeldes, sendo puxados pelo braço. Graças a Deus que o seu Espírito nos convence da sua vontade e, convencidos por Ele, buscamos cumprir seus desígnios em amor e humilde sujeição.  

 

Que o Senhor Soberano nos encontre como servos fiéis e não como déspotas rebeldes.

 

 

 


   Autor
   Pr. Rodrigo Suhett

Rodrigo Suhett é pastor na Igreja Quadrangular do Bairro Adriana, Rio de Janeiro.
Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Teologia Bíblica. Rodrigo também é professor no Seminário Teológico do Oeste.

 


 

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