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P
ercebe-se na atualidade, que a cada dia, mais cristãos desconsideram a importância de um dia da semana para a adoração e para o descanso. Acredito que esse é um assunto que devia nos preocupar.

 

Sabemos que historicamente, esse é um assunto que tem gerado diversos debates, e um esclarecimento de tais discursões, talvez nos ajude a compreender os aspectos que tem provocado o descumprimento desse mandamento (Êxodo 20:8-11).

 

Dentre os vários aspectos dessa discursão queremos pensar primeiramente na perspectiva etimológica. Sabemos que no princípio os dias da semana não possuíam nomes, mas eram designados por números. No entanto, o sétimo dia, era chamado de sabbath, que na sua raiz primitiva significa repousar, renunciar ao esforço ou celebrar, já em sua forma intensiva pode ser visto como intervalo. Interessa nos saber que Gênesis 2:1-3 ressalta que depois de seis dias de trabalho, uma vez que a obra da criação havia sido completa, Deus descansou, ou celebrou a sua criação. Conta-se que certa vez Martin Lutero pregando um sermão em 1528 disse que tanto homens quanto animais necessitam de tempo para descansar, e que uma pessoa não pode trabalhar 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, ressaltando que reconhece que precisa descansar é mais importante do que discutir quando deve ser esse descanso.

 

Outro aspecto importante, consiste na maneira como compreendemos o quarto mandamento? Geralmente pessoas enxergam os Dez Mandamentos como deveres a serem cumpridos para com Deus e para com os homens. Imagine se olhássemos para eles dividindo-os em proibições e ordenanças positivas. Dessa maneira, provavelmente a guarda do descanso, seria uma ordenança positiva. Quanto ao sábado, ele não nos apresenta uma proibição, mas sim uma ordem. Sproul em um de seus artigos cita o Breve Catecismo de Westminster para ressaltar que se Cristo reina sobre nós, precisamos celebrar sua obra e descansar nele.

 

“Como exerce Cristo as funções de rei? Cristo exerce as funções de rei, sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo-nos, contendo e subjugando todos os seus e os nossos inimigos”

 

Um outro debate importante que esse artigo não poderia deixar de abordar, é quanto dúvida se esse mandamento mantém seu caráter de lei moral, ou sua relevância foi abolida no cristianismo da nova aliança? Tanto uma possibilidade como a outra tem chamado a atenção de estudiosos da Teologia do Descanso. De acordo com Sproul em sua série de artigos sobre o sabbath, Agostinho acreditava que apenas nove mandamentos permaneciam intactos e recaiam como obrigação sobre a igreja cristã e para ele a única exceção era justamente o sábado. No mesmo artigo ele vai citar João Calvino como teólogo mais devotado a guarda do sabá, e dizer que outros também sustentam a ideia de manter a lei moral pois o sabbath foi instituído na criação e não em Moisés. Tais discursões abrem precedentes para diferentes formas de pensamento.

 

Há os que consideram não haver necessidade de descanso; os que consideram o descanso, mas não necessariamente no sábado; os que defendem que ainda hoje o descanso deve ser cumprido no último dia e que nada mudou; e os que defendem que o sabbath do Antigo Testamento corresponde ao dia do Senhor da Nova Aliança. Diante das opções analisadas sou conduzido a conclusão pessoal que culto e descanso não é algo opcional, precisamos de ambos e precisamos com frequência. As evidências do Novo Testamento (Romanos 14:5; Colossenses 2:16; Hebreus 4:9-11), nos alertam apenas para não exigirmos um dia específico dentre os sete da nossa semana para esse propósito, embora eu particularmente, compreenda que historicamente o melhor dia para essa prática seja do domingo. Stuart Olyott ressaltando a importância de guardar o dia do Senhor, apresenta evidências documentais que comprovam que durante as principais perseguições os cristãos eram questionados se guardavam o dia do Senhor “Dominicum Servasti?”, essa era uma maneira de identificar os verdadeiros cristãos.

 

Por último, queremos pensar as controvérsias ligadas a como esse descanso deve ser observado? Na teologia reformada essas opiniões são divididas em visão continental e visão puritana, interessante como essas visões possuem alguns aspectos em comum - ambas usam o texto de Isaías 58:13-14 para defender seu posicionamento; ambas reconhecem que o sabbath continua em vigor; ambas concordam que esse período é para celebração e descanso; e que devemos nos abster de comércios desnecessários – o ponto de divergência entre esses pensamentos é se a recreação é uma forma de descanso e o outro diz respeito a possibilidade de exercer obras de misericórdia nesse dia.

 

Diante desses argumentos, considero relevante apresentar algumas conclusões com base nos textos estudados, na tradição, na opinião de alguns autores e movido pelos meus pressupostos teológicos, certo de que talvez não reflita o pensamento de outros leitores:

 

  • O sabbath é algo necessário, importante, e previsto pelo próprio Deus.
  • O sabbath é uma oportunidade de descanso em Cristo, depositando nele todas nossas esperanças.
  • O sabbath é a celebração e reconhecimento da obra de Deus.
  • O sabbath é a celebração que Cristo venceu e certeza de que nós também venceremos.
  • O sabbath não possui seu fim na recreação embora a recreação possa fazer parte do processo de descanso.
  • O sabbath possui um caráter coletivo e embora não caiba a igreja julgar seu cumprimento no sábado ou no domingo, historicamente o domingo tem se apresentado como a melhor opção para celebrar a vitória do nosso Rei Jesus e descansar nEle.

 

 

 

Pr. Tony Zamba

 

 

 


 

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